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Sabendo sofrer, sofre-se menos.

Ela era de estatura média, cabelo ruivo e estava tendo um ataque de nervos no supermercado. Enquanto conversava ao celular, lágrimas escorriam do seu rosto. Fiquei parada no início do corredor, pensando se deveria prosseguir ou pegar mais tarde aquele item específico da lista, mas resolvi ficar. Dirigi-me aos pães e comecei a ler rótulos, em busca de um que não começasse com farinha de trigo (a grande maioria seja integral, light ou com numerosos grãos, começam com esse ingrediente e é aí que percebemos, que o pãozinho cheio de frescura não é tão saudável assim. Aprendi numa palestra. Obrigada Jaque! Agora sou uma leitora de rótulos de pães. Rs).
Uma senhora, cabelo bem branquinho, virou com seu carrinho no mesmo ponto inicial ao meu e também seguiu em direção aos pães.
Não gostaria de ter escutado a conversa, mas o pranto daquela moça começou a me incomodar e já não conseguia distinguir os ingredientes. Ela deveria ter lá seus 18/20 anos. Estava conversando ao telefone e repetidamente questionava a outra parte o porquê dele ter feito aquilo... E quanto aos planos, o futuro, a viagem... Imaginei se tratar de uma D.R. entre namorados.
Voltei a me concentrar nos rótulos, porém o soluço misturado às lágrimas ficou mais intenso. A senhora que também tentava escolher seu pão me olhou como quem dizia: Ahhhh os jovens.
A moça, naquele momento, deu um longo suspiro e disse ao telefone que sua vida tinha acabado e então com um novo suspiro encerrou a ligação. Respirou intensamente, enxugou as lágrimas e nos olhou. Arrumou o cabelo e saiu em direção aos caixas.
Fiquei sem reação. Queria ao menos ter perguntado se ela estava bem, mesmo sabendo da resposta. Fiquei ali, olhando vagamente para a gôndola e pensando na cena que tinha acabado de ver. Nesse instante, a senhora ao meu lado falou: Pobre menina! Acha que sua vida acabou, mal sabe os muitos dissabores que ainda terá que enfrentar na vida. Com essa idade não tem a maturidade. Só o tempo vai lhe ensinar que cada momento é precioso e que algumas coisas não valem a pena.
Sorri. Ela sorriu de volta. Seguimos cada uma por um corredor diferente. Não encontrei o pão que procurava, mas encontrei pequenos ensinamentos diários.
Sem dúvida sofrer é necessário para o crescimento. Mas devemos sofrer pelas causas certas. Eu escolho a reação e a importância que darei a cada situação na vida. E esse aprendizado vem com a maturidade, com as experiências que temos durante a caminhada.
Fácil? Não! De jeito algum. Mas é possível e é bom. Evitar os “pré sofrimentos”, os gastos de energia desnecessários. A vida é muito curta para desperdiçar sofrendo.
Que possamos sempre escolher o caminho mais colorido e lembrarmos de sofrer somente quando muito necessário.

Beijos,
Cá.

Comentários

  1. Uau, Carol, virou escritora e estava escondendo o jogo? Amei! Vc deve investir nisso! Vou te mandar um zap. Bjs da titia. ;o)

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    1. Obrigada Tia! Vamos esperar cenas dos próximos capítulos...rs. Eu gosto de escrever, quem sabe agora consigo desenvolver. Bjs

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  2. Xuxu, que texto lindo. Como sofremos em nossa juventude e estamos aqui, firmes e fortes, maduras, felizes, escolhendo os motivos que podem/devem ou não tirar nossa paz. Volta a escrever com freqüência!! ❤ Beijo enorme!!

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    1. Obrigada Xuxu pelo incentivo. O sofrimento é realmente algo difícil de lidar... Só o tempo e o amadurecimento para nos ajudar a enxergar as coisas de forma diferente. E que bom que a gente muda! Beijos com saudade!

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