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Palavras...

Há quem diga que falar é libertador... E há quem diga que palavras proferidas, não podem ser mais juntadas... palavras apenas, momentos, palavras ao vento.
É como tentar juntar as folhas do jardim numa tarde de outono, você bem que tenta, mas quanto mais esforço faz, mas o vento as espalha.

Concordo que falar é realmente libertador, ainda mais quando se guarda muito, se deixa tanto na alma, que às vezes parece que tudo vai explodir. Alguns dizem que isso é ter educação demais. Outros que é medo de magoar as pessoas, então pra que falar? Melhor guardar... E ainda tem aqueles que dizem que não falar é uma espécie de querer sempre agradar, ficar bem com todos. 

Enfim, o ideal é encontrar o equilíbrio (difícil muitas vezes). Falar quando necessário, sempre pensado, com cautela, sem ferir. E se preciso for, é hora de respirar fundo, sem vergonha, sem medo... dizer o que não está legal. Que não concorda com aquela decisão. Que precisa acertar alguns pontos para seguir em frente. Colocar pra fora o sentimento que te amarra à alma. Expressar o que se sente no momento, o que incomoda ou aflige.

E também saber a hora de deixar pra lá, estar atento quando não valer a pena, quando for pra abrir ainda mais um buraco. Foi mesmo necessário ter despejado tudo assim, dessa forma? Essa era a ideia original de resolver as coisas?

Mas aí se as palavras já foram e elas não saíram da melhor forma, o caminho é pedir perdão, procurar saber o porquê aquela conversa tomou tamanha proporção. Provavelmente porque tal assunto já devia estar há tempos acumulado. Deixou que o copo se enchesse e que a última gota transbordasse com tudo.

O importante é não desistir de buscar, de se reavaliar, de voltar e corrigir quando se erra esvaziar o copo, esvaziar a alma, ouvir o que não se dá para ouvir, o silêncio... Ah como é complicado, mas tão necessário. O silêncio que te leva à consciência, a organizar os pensamentos, a buscar algo maior, que te faz perceber que tudo aquilo não passou de um momento, uma fase, um dia ruim.

Mas falar, como amor, ainda é e muito, LIBERTADOR.



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